domingo, 24 de maio de 2015

Homenagem ao Filme Mad Max


Como é bom relembrar os anos de nossa adolescência. Tive uma grande emoção no cinema ao assistir o filme (que na minha modesta opinião já é o melhor do ano): Mad Max A estrada da Fúria. Obra prima do diretor australiano George Miller.
Para a geração de hoje talvez o nome do filme não provoque tanta comoção assim... Mas a galera que tem 40 anos como eu, com toda a certeza se sentiu voltando aos bons tempos em que os filmes de ação se resumiam a boas histórias e cenas espetaculares e inverossímeis.
 
Três décadas depois e os carros envenenados e as figuras bizarras do mundo do policial neurótico Max Rockatansky voltam à ativa. Uma pena que Mel Gibson (o eterno Coração Valente) não reprise o papel principal.
Tirando isso vale apena assistir! A trama ainda se passa num futuro apocalíptico. As cidades foram engolidas pelo deserto provocado pela poluição e combustível e água são tão preciosos quanto comida. É neste mundo onde as pessoas matam por qualquer coisa que Max vive e luta para sobreviver.

Saí do cinema tão fascinado pelo visual e os personagens do filme que fiz uma escultura em homenagem. Peguei um manequim velho e customizei com durepoxi, tinta acrílica e sucata e no fim... Fiz uma obra bem estranha!

Um amigo meu fã de rock pesado ficou de 'olho grande' na peça e já pediu para fazer uma igualzinha para ele colocar de enfeite em sua moto anos 60. Será que fica legal?!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Sessão Contos Bizarros


Do Outro Lado

 

Ana Lúcia levantou esbaforida da cama e percebeu que estava atrasada para o trabalho. Logo hoje quando apresentaria para os acionistas da empresa que atua um novo projeto na venda de um produto de grande escala.

Formada em publicidade desde 2003, Ana Lúcia foi o que podemos chamar de uma garota batalhadora. Filha de uma empregada doméstica e sem um homem para chamar de pai, viveu a vida toda lutando por um lugar ao sol.

Enquanto outras garotas pensavam em ídolos da TV e em namoro, Ana Lúcia queria mesmo era estudar e dar uma vida de conforto que sua mãe nunca teve. Passava horas estudando e também dividindo o tempo em ser balconista de uma perfumaria do shopping.

Enquanto atendia os fregueses sonhava em ter um negócio próprio, ser a sua própria patroa, como costumava dizer aos colegas de serviço. Como gostava de revistas de moda pensou em ser designer, depois viu que gostava mesmo era de outro ramo: publicidade.

Depois de passar no vestibular depois de muito ‘ralar’ noite à dentro com pilhas de livros, conseguiu a tão sonhada vaga em uma das melhores instituições do ramo. Sempre pensando em algo a mais fez outros cursos e procurou estágios que pudessem engrandecer o seu currículo. Nesta luta toda acabou trabalhando em importantes empresas até chegar à chance de ter um cargo de chefia em uma das maiores empresas do setor publicitário.

Agora estava ela em seu terninho importado e com um carro de ultimo tipo correndo apressada pelas congestionadas estradas do Rio de Janeiro. Antes de partir deu um beijo no marido, também publicitário, e nas crianças. Claro que não podia esquecer da mãe, mulher de fibra e que esteve sempre ao seu lado. Deu um beijo em sua testa e acariciou as suas mãos envelhecidas e marcadas pelo trabalho braçal.

Por um momento antes de partir deu um olhar de sentimento de paixão pela família e pela bela casa que tinha. Acariciou os moveis e depois pegou apressadamente seu notebook e sua maleta de projetos e foi em grande carreira para o seu carro. O transito parecia mais selvagem que de costume: motoristas e motociclistas disputavam espaços com ônibus e caminhões de grande porte. O barulho de buzinas era tão irritante quanto de sinais que apareciam de forma sistemática pelos trajetos.

Enquanto dirigia Ana Lúcia percebeu que seu celular tocava constantemente. A sua concentração no volante a impedia de atender ao telefone. Como em toda cidade de grande trafego a moça acabou pegando um congestionamento. Aproveitou a parada forçada e resolveu pegar o celular e ver a ligação. Para a sua surpresa era uma das secretárias da empresa que estava chamando.

A secretária disse que a reunião ocorreria com atraso, pois, muitos dos acionistas não haviam chegado à empresa. Ana Lúcia soltou um suspiro de alívio e também de desapontamento, se desesperou á toa.

Aliviada resolveu relaxar e ouvir uma música enquanto o congestionamento prosseguia. De repente um alvoroço se fez. Um motoqueiro via em alta velocidade e pelo jeito não conseguia controlar o seu veiculo. Ana Lúcia nem conseguiu esboçar uma reação quando o motoqueiro foi projetado para o pára-brisa de seu carro ao bater a moto na lateral.

O corpo do motoqueiro atravessou o vidro e acertou em cheio Ana Lúcia que não teve como se esquivar. Depois do golpe a moça perdeu os sentidos. Ela via tudo branco. Depois tudo ficou escuro e um enorme silencio surgiu. Ana Lúcia começou a ver cores que se digladiavam diante de seus olhos. Um arco-íris deformado que logo foi ganhando a forma do rosto de seus filhos e de seu marido que a olhavam com os olhos cheios de lágrimas.

A sua filha dizia emocionada:

-Mamãe você vai ficar bem!

Ana Lúcia também emocionada respondia para a filha:

-Eu estou melhor agora minha filha.

A criança continuava a chorar e pelo jeito não havia escutado o que a mãe teria dito. Ana Lúcia então falou novamente que estava bem. Mas os filhos pareciam não escutar.

Ana Lúcia então tentou levantar da cama, contudo o seu corpo parecia não obedecer. Tentou então esticar as mãos para tocar os filhos. Sua mão levantava, mas não conseguia tocar as crianças. Quanto mais se esforçava mais parecia que seus filhos estavam longe do seu alcance.

Começou a gritar pelo nome do marido e depois de ver que este não ouvia, começou a gritar por um médico:

-Doutor, por favor, me ajude! O que está havendo comigo?

De repente Ana Lúcia sentiu uma leveza reconfortante. E Percebeu que já não estava na cama. Não entendera como de uma hora para outra estava de pé no canto do quarto do hospital. Viu que estava perto dos filhos e do marido e tentou um contato com eles. Caminhou até a eles e quando esticou a sua mão para tocá-los percebeu que não conseguia.

Do nada começou a ouvir vozes e o quarto começou a brilhar. A luz cegante tomava conta do recinto e Ana Lúcia começou a sentir um calor estranho. As vozes entoavam um cântico suave e ao mesmo tempo aconchegante. Ana Lúcia se deixou levar pelo canto e então fechou os olhos.

Um estranho silencio tomou conta novamente da moça. Sem perceber Ana Lúcia começou a levitar e percebeu que agora não estava mais no quarto ou em meio à luz. Um mundo avermelhado se fez diante de seus olhos. E no meio do intenso vermelho figuras negras de olhos amarelos começaram a aparecer.

Ana Lúcia sentiu um calafrio. Seu corpo ficou paralisado e na mesma hora uma das estranhas figuras tocou o seu braço. Outro ser pegou em seu pescoço e logo a garota percebeu que os monstros queriam levá-la para algum lugar.

Enquanto lutava Ana Lúcia gritava pelo seu marido para que este viesse a ajudar. Contudo, seu marido não aparecia. Os monstros com sua força puxavam a moça e tentavam levá-la para um portal com colunas gregas cinzentas e adornados com gárgulas. O desespero tomou conta de Ana Lúcia que lutava para se soltar dos monstros, mas não tinha forças para tanto.

Quanto mais lutava a moça, mais os monstros demonstravam maior força. Ana Lúcia começou a lembrar dos filhos, da mãe e do marido, vertia lagrimas em pânico. Chorando e soluçando ela perguntava por que Deus havia abandonado naquela situação. Um dos monstros disse a ela que Deus não poderia intervir. Que ela estava condenada ao fogo do Inferno.

Ana Lúcia não entendia porque teria que ir para o Inferno. Nunca fez mal a ninguém pelo que saiba e nem deixou de ajudar alguém. Sempre amou a sua mãe e seus filhos. Tentou ser uma boa esposa e respeitou o marido. Por que tal injustiça lhe era aplicada?

Quando pensou em desistir de lutar e se entregar aos demônios, Ana Lúcia então sentiu um vento levar o seu corpo para longe dos monstros. Como se fosse à mão de Deus que transportava uma pena, a moça se viu levitar novamente e indo parar em meio uma luz. Quanto mais à luminosidade aumentava mais Ana Lúcia sentia-se calma e pensava que nunca estivera tão bem em sua vida.

Passado alguns minutos Ana Lúcia foi transportada para outro lugar. Olhou para os lados e viu que estava em algum lugar florido. O perfume da primavera chegava refrescante as suas narinas. Enormes e frondosas arvores tomavam conta do local. Um pouco mais ao longe ela avistou um pequeno número de pessoas vestidas de preto.

Era um velório que estava ocorrendo e Ana Lúcia percebeu que o lugar era na verdade conhecido. Tratava-se do cemitério metropolitano. Ana já estivera neste lugar antes para o sepultamento de um amigo. Pelo jeito estava havendo outro e ela foi para ver de quem era.

Olhou para ver se tinha pessoas conhecidas e encontrou a sua mãe e também seus filhos e seu marido. Também estavam seus companheiros de trabalho e alguns dos acionistas que ela queria ver na bendita reunião. Pensava consigo quem estaria sendo sepultado ali. Ana Lúcia esperou o caixão baixar na cova para em seguida ver quem era o defunto.

Após o fim da cerimônia todos os participantes foram indo embora lentamente, menos os filhos e o marido de Ana Lúcia. Estranhando a situação Ana foi tentar se aproximar da lápide para ler o epitáfio. Para seu espanto ela viu que o nome na lápide era o seu. O calafrio voltou e a moça colocando a mão no peito sentiu que aquilo que mais temia estava realmente acontecendo...

Ana Lúcia não escapou da implacável mão da Morte!


Após 4 anos de coma finalmente Ana Lúcia emitiu sinais de vida e pode ter alta do hospital. Ela relatou todas essas experiências surreais depois do acidente. Para os psicanalistas e estudiosos da neurologia os sonhos e imagens de coma podem ser um processo do cérebro em tenta lidar com as memórias acumuladas. Todavia, para a maior parte das pessoas os sonhos na verdade seriam mensagens ou viagens através de um mundo além. Talvez Ana Lúcia jamais consiga ter certeza se realmente esteve em seu próprio funeral ou contatou demônios que queriam sua alma. A crença de cada um fala por si mesmo!

 


sábado, 9 de maio de 2015

Interestelar, Mad Max, Automata: O Futuro Sombrio nas Telas


O futuro... Quem nunca imaginou como seria o amanhã? Prever com antecedência  o que virá, seja as catástrofes ou as coisas boas da vida? Quem sabe inventar a bendita máquina do tempo que pirou a cabeça do escritor cyfy H. G. Wells e influenciou outros tantos contos e filmes? A humanidade passa boa parte do seu tempo pensando no que virá no outro dia muito mais do que no presente.
E isso é ruim (perguntaria você do outro lado da tela)? Claro que NÃO! Se pensarmos bens foi o desejo de prever o futuro que fez o homem realizar feitos antes impossíveis como voar e criar o computador, por exemplo.

O interessante é que muitas previsões (com suas devidas proporções de erros e probabilidades de acertos) acabam realmente acontecendo. No cinema então... Grandes filmes já nos mostraram o que poderia vir a acontecer e que no fim aconteceu. Quem não se lembra de quando criança ao assistir a Star Trek  e ver os personagens se comunicando com aparelhos que pareciam os celulares atuais? Ou as videoconferências que já apareciam em filmes como Perdidos no Espaço? Ou o super computador que o Batman tinha na batcavena no seriado dos anos 60 com todas as informações do mundo sem mesmo antes existir a internet?
Recentemente assisti a dois filmes que me fizeram pensar em como o cinema imagina o nosso futuro. A maioria dos filmes atuais já debate o esgotamento do planeta devido o uso exagerado dos recursos naturais o que antes, aliás, nem era pensado. Ainda mais que nos filmes de ficção dos anos 50, 60 e 70 a bola da vez eram os conflitos nucleares.

Com o fim da guerra ideológica entre comunismo e capitalismo, os autores de ficção e cineastas resolveram focar em temas como o fim da humanidade por meio do mau uso do planeta pelo homem. Para a geração atual o tema da ecologia está onipresente e ainda mais com a crise hídrica em nosso país. Mas me lembro de quando criança ao assistir ao seriado do herói japonês Spectroman ouvir o narrador falar que 'num futuro próximo o ar, a água e tudo o mais seriam letais para o homem' devido a poluição de dejetos que contaminam o solo. Quem diria que o Spectroman estava certo!? Olha a dengue e os virus matando milhares de pessoas pelo mundo!

Interestelar e o aquecimento global
O aquecimento global é um dos temas do filme do diretor inglês Christopher Nolan (Batman Begins). A terra ficou coberta de poeira e a falta de chuva levou as plantações a baixa produção em um futuro bem próximo. O mundo regride tecnologicamente ( a Nasa deixou de existir) e a história de que o homem visitou a lua é vista como um mito. Porém, um astronauta aposentado (Matthew McConaughey) é solicitado para uma experiência secreta e única: encontrar um novo planeta para os humanos! Para isto o astronauta abandona a família e ruma para um buraco negro (que acreditam servir como ponte para outros planetas e dimensões).Além do tema ecológico o filme também analisa a viagem no tempo por meio das teorias de Einsten e Isaac Newton de forma brilhante.

Robôs como ameaça ao homem
A velha briga entre homens e máquinas já existia no cinema desde Metrópolis e Exterminador do Futuro e Matrix. Mas em Automata do diretor Gabe Ibañez e estrelado por Antonio Banderas, a ameaça não são robôs e sim, o homem. Em um futuro pós aquecimento global e com baixa população, corporações criam robôs empregados para ajudar os poucos humanos que vivem no planeta. Seguindo os protocolos que foram criados pelo escritor Isaac Asimov e que inspirou filmes (Eu Robô e Homem Bicentenário) as máquinas servem os homens até que uma delas passa a agir por conta própria. Os seres humanos começam então a ver as máquinas como uma ameaça. Um dos melhores filmes que discutem o que é afinal o ser humano e o existencialismo.

A luta pelo combustível em Mad Max
Mad Max foi o primeiro filme de ficção que assisti quando moleque na velha Tela quente nos anos 80. O filme de George Miller e então estrelado por Mel Gibson, já trazia o discurso do aquecimento global e a falta de comida. Para piorar, tudo começou quando os governos entraram em crise pela uso abusivo do petróleo. As já conhecidas guerras entre ocidente e oriente pelo ouro negro e os desastres ecológicos levaram a humanidade ao caos. O mundo regrediu a grupos bárbaros que andam no deserto com carros feitos de sobras de sucata e com código moral da lei do olho por olho. O filme dos anos 80 era pessimista em relação ao homem com o ambiente mostrando que toda a humanidade teria um fim de acordo com as atitudes grotescas dos seres humanos.
Para quem gosta de ficção cientifica e bater um papo filosófico estes filmes valem apena assistir.
 


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sessão Contos Bizarros: O Filho Acorrentado


Foi no interior de Manaus que se espalhou a história de seu João Neto. Homem do campo e que vivia longe da cidade. Seu João era baixinho, de nariz grande e com uma cicatriz aparente na face, também era coxo e tinha surpreendentemente braços musculosos. Com tal aparência parecia difícil que ele viesse arrumar um par algum dia.
Por sorte casou com dona Toninha, que assim como seu João Neto, não era lá muito bonita, porém era muito prestativa e como dizem no interior 'bastante trabalhadeira'. O casal vivia em uma casa simples com poucos moveis e tendo como protetor um cachorro magro e fedorento de nome Sultão.
Os dois tiveram 7 filhos, todos meninos, e todos morrendo um por um de forma trágica. Somente o sétimo filho sobreviveu. Os poucos vizinhos que os conheciam nunca viram o seu filho, e até achavam que o casal estava inventando-o, já que ninguém o tinha visto.
Contudo, era comum perto da casa deles ouvirem gritos e barulhos estranhos. A quem diga que podia ser um fantasma, para alguns podia ser um cão do mato ou coiote, e na pior das hipóteses uma onça.  Os gritos às vezes, pareciam insuportáveis e de tão assustadores que muitos caçadores se comprometeram a ir caçar a suposta fera.
Seu João Neto estranhamente desconversava sobre o assunto. Dizia que nunca ouviu barulho nenhum. Nem um pio de coruja ele ouvira próximo de sua casa. Muitas vezes ficava irritado com as perguntas sobre o assunto. Sua mulher, mais calma, era quem conversava, mas de forma quase que mínima para não chamar a atenção do marido rabugento.
De vez em quando, seu João andava pelas redondezas encima de seu pangaré magrelo e cheio de moscas. Com espingarda na mão ele também carregava um saco pesado. Dentro do saco levava coelhos e capivaras mortas. Com certeza o velho gostava de carne de coelho, poderia pensar a comunidade. Mas será isto mesmo?
Claudomiro era um vaqueiro da região que tinha pouco mais de 20 anos. Costumava pescar no rio próximo a casa de seu João Neto e achava que o velho escondia alguma coisa. Percebia que seu João voltava com o saco cheio de bichos mortos e os levava para um celeiro nos fundos da casa. Ficava quase que 50 minutos lá. Enquanto o velho ficava no celeiro os estranhos barulhos e gritos aconteciam. Depois o velho saia e trancava o celeiro com montes de cadeados e medeiras na porta.
O que será que acontecia nesse celeiro? Com esta dúvida Claudomiro resolveu investigar a casa do seu João. Um dia o rapaz esperou o velho e sua mulher saírem de casa. Mal os dois cruzaram a estrada de chão para fora da propriedade, Claudomiro correu para a casa deles.
Sorrateiramente o rapaz entrou na casa e não viu nada de interessante: duas cadeiras, uma mesa, uma geladeira velha e em uma estante improvisada, uma TV antiga. Satisfeito com que  viu Claudomiro resolveu ir ao que lhe interessava: o celeiro.
Olhou o celeiro e viu que tinha muitos cadeados prendendo a porta. Voltou a casa e não encontrou nenhum molho de chaves. Pensou em como poderia abrir a porta e teve que improvisar uma chave com um arame enferrujado.
Com muito esforço destrancou todos os cadeados e então pode abrir a porta do celeiro. O rangido da porta assustava e uma escuridão era presente no interior do recinto. Por sorte Claudomiro tinha um esqueiro e o acionou para poder enxergar no breu.
A luz iluminou de forma que o rapaz enxergava penumbras e tentava identifica-las. Viu que tinha um armário velho de ferro e o chão batido estava com manchas que pareciam ser de sangue. Também havia ossos espalhados no chão (provavelmente dos bichos mortos que seu João trazia). Sentiu um fedor de podre forte no lugar e quase o vaqueiro vomitou.
De repente algo lhe chamou a atenção: uma enorme corrente estava se mexendo. O vaqueiro deu um engulho e com medo começou a imaginar o que estava preso nela. Tentou focar o objeto com o esqueiro e viu uma figura encolhida gemendo.
Com medo o vaqueiro pegou um canivete que escondia na cintura e se preparou para o pior. Quando levantou o objeto perfurante viu que a figura era um menino de talvez uns 10 anos. A criança soluçava baixinho. Claudomiro ao mesmo tempo que ficou assutado teve raiva em ver uma criança acorrentada em um ambiente daqueles.
O vaqueiro então disse em voz baixa ao garoto:

-Calma menino! Eu vou tirar você dessa corrente.

Quando o vaqueiro iria cometer a ação levou uma paulada na cabeça. Quem desferiu o golpe foi seu João Neto que estava atrás sem ele perceber.
Claudomiro ficou tonto e não entendendo o que estava acontecendo ensaiou um ataque ao velho. Porém, para a sua surpresa o menino o agarrou por trás. O menino tinha uma força descomunal e Claudomiro só percebeu que estava perdido quando viu que a criança tinha  a aparência monstruosa de hibrido mitológico de humano e caprino.
Seu João Neto apenas assistia a cena: seu menino mordendo e dilacerando o pobre rapaz que foi salva-lo. O velho sorriu e então falou:

-Por hoje você já teve seu jantar, meu filho!

Nunca mais a comunidade viu Claudomiro. Dizem que ele saiu da cidade, mas a verdade foi outra. Até hoje na pequena comunidade do interior de Manaus se ouve os estranhos gritos e barulhos mata à dentro.

sábado, 25 de abril de 2015

Fúria de Titãs, Transformers e Vingadores: Quando os efeitos especiais engolem a história


Hoje fui ao cinema para ver o novo filme dos heróis da Marvel, Os Vingadores: A Era de Ultron. E  como fã de cinema e principalmente de história de quadrinhos ansiava para ver a película. Pois bem, fui todo eufórico para assistir a mega produção.
Sentei em uma boa fileira e pagando um pouco a mais, pude assistir o filme em 3D. 'Beleza' pensei comigo. Comecei a assistir ao filme e confesso que achei a primeira meia hora muito desinteressante, e por incrível que pareça cochilei em uma ou duas cenas. Depois da primeira meia hora o filme finalmente engrenou (pelo menos para mim). No fim eu gostei do filme, porém saí com aquela sensação esquisita por ter dormido durante um filme que eu estava tão afim de assistir.

Resolvi meditar e de repente percebi que o filme dos Vingadores não foi ruim. Então por que foi que eu dormi durante a sessão do filme? Será que foi o cansaço? A poltrona que era super confortável? Não meus amigos a culpa de eu dormir por alguns minutos ao assistir o filme dos Vingadores se chama : Efeitos especiais digitais!
Explico: por incrível que pareça desde que filmes como Transformers, Fúria de Titãs e Vingadores apareceram estou passando por uma aversão aos efeitos digitais. E olha que sempre gostei de filmes com efeitos bacanas desde os anos 80. O problema é que todos os filmes modernos parecem iguais em cenas que possuem a necessidade de efeitos de CGI.

Em Transformers, por exemplo, tem uma enxurrada de destruição de prédios e explosões de naves e robôs que não acaba mais (no último filme quase não havia história somente a destruição de cidades), ironicamente  nos filmes dos Vingadores as benditas cenas de destruição de prédios e naves parecem um repeteco dos Transformers. Em Fúria de Titãs os monstros abissais fazem coisas hiper exageradas e depois vemos os mesmos monstros em Pierce Jackson e outros similares...

O pior é ver que filmes como 2012 que só mostra catástrofe repete as mesmas cenas em filmes de super heróis (Homem de Aço) e até filmes de ação. Não quero parecer reclamão, mas parece que os diretores de cinema norte americano parecem querer somente copiar cenas uns dos outros e isto causa uma espécie de canseira em quem assiste os filmes. Gosto de filmes que tem efeitos especiais, e espero que continuem a faze-lo, contudo também espero ver boas histórias, pois é isso o que realmente importa quando se assiste um filme.

terça-feira, 21 de abril de 2015

A Importância da Arte Para Crianças Pequenas


A arte pode fazer a diferença na vida de muitas pessoas. Mesmo parecendo uma frase demagógica ou piegas, não deixa de ser verdade. Um exemplo bem prático são os benefícios sociais que ela traz para quem quer conhece-la.
Muitas pessoas que nunca imaginaram que tivessem um 'dom' artístico se descobrem diante de uma folha de papel em branco ou uma tela e tintas (estou tendo uma ótima experiência este ano com alunos adultos que fizeram belos trabalhos em tela). Lógico que para isto se deve vencer a preguiça, ou melhor, a sensação de impotência que muitas pessoas carregam. Frases do tipo 'Eu não consigo', 'Eu não nasci com este dom', 'eu não sei desenhar!'... e outras negativas somente promovem o medo de ir adiante e impedem o individuo de descobrir um mundo novo.
Por isso apoio que desde cedo as crianças tenham contato com aulas de artes desde o maternal. Sabe-se que as crianças por instinto de experimentação gostam de lidar com diversos objetos. Muitas professoras já fazem trabalhos manuais com crianças. Porém, ter um docente em artes dá todo um diferencial.
Primeiro que por mais que as professoras regentes sejam criativas e tenham um bom material de aula, um especialista na área abre um leque maior de opções. Um professor que conhece a história da arte e técnicas adversas ajudam a dar uma aula com mais interatividade e diversão.

Segundo, que as crianças ao contrário dos adultos não estão interessadas em mesurar o seu aprendizado. Para elas pintar um papel com tinta e soprando em um canudo ou usar uma tampa de isopor para fazer uma gravura é um substituto e tanto para os bonecos de plástico e o videogame.
De certa maneira vejo que dar aulas para criança de 3, 4  e 5 anos, pode aparentemente não parecer importante (muitas escolas não tem aula de artes neste segmento) pois acreditam que as crianças só estão se divertindo.

Penso que o divertimento é apenas um modo de filtrar um aprendizado, que geralmente seria enfadonho para elas. Já usei teatro de sombra com uma caixa de sapato e luz de celular para contar estorias e as crianças adoraram (não menosprezando a técnica do docente que lê em voz alta o livro para os alunos). Em outra aula fiz estencil com tampas de plástico e fizendo máscaras vazadas para que as crianças pudessem pensar sobre o ato de repetição. Também já falei de cores quentes e frias usando a técnica de 3D... e por aí vai.

Quanto mais se apresenta uma técnica que seria complexa de modo simples, mais as crianças aprendem de forma sem cobrança e com divertimento. Outra coisa importante é que propriamente a abordagem triangular não seja uma forma de trabalhar com elas. Penso que a forma de ensinar arte da Ana Mae Barbosa, funcione melhor a partir dos primeiros anos (1º, 2º, 3º anos em diante). Com crianças pequenas a livre expressão ( com um toque sutil de direcionamento) é o que rende mais frutos pela minha experiência. Deixo imagens de minhas aulas e que possamos como professores propor novas aulas de artes para crianças e adultos.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sessão Contos Bizarros: Um Colapso no Tempo


Valdemar acordou como de costume as 5h da manhã. Com o olho inchado e andar tropego escovou os dentes. Em seguida voltou ao quarto e foi no guarda roupa procurar uma calça jeans e uma camiseta descolada. Marta, sua esposa, já estava de pé ha muito tempo e havia feito aquele café que só Valdemar gosta. Depois de tomar o café foi para o serviço: Valdemar tem uma lojinha de celulares na feira dos importados de Taguatinga.
Trabalhou o dia como de costume tentando ver se lucrava com algum produto. Enquanto labutava Valdemar lembrou que naquela tarde deveria comparecer ao cemitério. Soube através do Rubens (o dono do boteco que Valdemar frequenta nos fins de semana) que um conhecido de infância havia falecido. 
Quando deu no relógio 13h da tarde, Valdemar fechou a loja e colocou um cartaz na porta informando que  estaria resolvendo algo importante (muitos clientes ficarão 'chiando' pensou ele). O comerciante chegou cedo ao velório. Abraçou os parentes do falecido e ficou em silencio diante do caixão que descia a cova de sete palmos feita pelo coveiro de cara amarrada.
Com o fim do velório e muito tempo de sobra, Valdemar resolveu dar uma volta pelo cemitério. Percebeu que era um lugar cheio de árvores e muita grama e até tinha uns túmulos bem cuidados. Mesmo assim, com todo o cuidado merecido ainda era um lugar de tristeza e pesar. O comerciante calvo viu que havia muitas famílias chorando ou rezando por algum ente que deixou este mundo. 
Enquanto andava por entre os túmulos, Valdemar parou para ver um mais de perto. Não acreditou quando leu em uma lápide o seguinte nome: Valdemar filho Junior 1980 - 2010. Assustou ao ver que o nome e o sobrenome era igual o do seu RG. Até a data do nascimento era igual! viu que na lápide também tinha uma fotografia, mas estava velha por estar exposta a chuva e o calor excessivo. 
Valdemar tentou olhar a imagem mais de perto e com esforço percebeu que o rosto que estava na bendita foto era a sua quando mais jovem e cabeludo! 'Isto não pode estar acontecendo!' dizia consigo mesmo. Transtornado o comerciante foi até a administração do cemitério e foi atrás de saber que brincadeira de mau gosto era aquela. 
A atendente bonita e de cara de poucos amigos o recebeu com má vontade:
- O que o senhor deseja?
-Quero saber sobre o túmulo do Valdemar Filho Junior.
-O senhor é o que dele?
- (Pensou em uma mentira rapidinho) Sou o irmão dele!
A moça foi procurar os documentos referentes ao túmulo e depois da investigação trouxe as informações que Valdemar procurava:
-Bem, o túmulo do seu Valdemar está com as taxas de manutenção atrasadas. 
-Quem foi que pagou o enterro? Sabe eu não pude comparecer, estava viajando... (inventando mais mentiras).
-Aqui diz que quem pagou foi a esposa: dona Marta Leite Junior.
Valdemar não acreditou na resposta. Coçou a cabeça calva e sem falar mais nada com a atendente saiu em desabalada carreira para casa.
Chegando em casa, Valdemar entrou casa a dentro e encontrou sua esposa na cozinha cortando um bife para cozinhar na panela. Com as mãos tremulas o comerciante tentou tocar no ombro da esposa que estava de costas. Marta então resolveu iniciar a conversa:
-Como foi o dia meu amor?
-Estive no cemitério hoje e você não sabe o que aconteceu! ( falava de forma assustada e esperando a surpresa da mulher).
-Vixe! Esqueci de dizer a você. Eu devia ter dado o dinheiro da taxa de manutenção do túmulo do meu marido falecido.
Valdemar não entendeu o que Marta estava dizendo e surpreso perguntou:
-Do que você está falando mulher? Eu sou o seu marido!
-Eu sei. Mas nunca vou esquecer do Valdemar, o meu primeiro marido, e que Deus o tenha num bom lugar.
-Isso só pode ser uma brincadeira o que está havendo? Como assim o Valdemar morreu?
-Ué! Esqueceu que o meu marido Valdemar morreu em 2010 de acidente de carro na EPTG.
Um frio subiu na espinha. Valdemar não estava acreditando naquela cena. Sua mulher falava de forma tão franca e normal que ele se assustou. Confuso saiu correndo de casa e entrou em seu FIAT Uno usado. Marta gritava para ele voltar mas, o comerciante saiu a toda pela estrada.
Enquanto guiava o seu carro pelas estradas da Comercial Norte, Valdemar tentava entender o que estava acontecendo. Ficava se perguntando se não estava louco ou algo parecido. Esmurrava o volante e mordia os lábios com toda força. Logo começou a chorar e a gritar pela rua. 
Enquanto guiava desesperado, o condutor não viu que seu carro entrou pela EPTG na contra mão. Na mesma estrada vinha um caminhão cegonha que também estava em alta velocidade. Surpreso, Valdemar se assustou em ver que o seu carro estava a poucos metros do caminhão. Não deu nem tempo de desviar e os dois veículos se chocaram! 
Um silencio se fez. Tudo estava escuro. Valdemar então acordou pontualmente as 5h da manhã. Escovou os dentes e depois de tomar o café gostoso da Marta foi para a sua lojinha na feira dos importados. Tudo transcorreu normalmente. Ás 13h ele foi ao velório de um conhecido, enquanto ia para o cemitério Valdemar teve uma sensação de dejavi (como se ele estivesse passando por tudo aquilo novamente) e participou de todo o velório. No fim resolveu dar uma volta pelo recinto e se deparou com uma lápide que por alguma razão ele pensava já ter visto. Foi até ela e então para o seu estranhamento estava escrito um nome: Valdemar Filho Junior 1980-2010. ALGUMA COISA ESTAVA ERRADA!