quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Mangá é arte Japonesa?

A cultura asiática ha muito tempo vem fascinando o olhar dos ocidentais. Antes mesmo da moda dos filmes, seriados e desenhos animados do 'sol nascente', o homem europeu já travava um contato com uma cultura complexa e tão rica. Por isto, o titulo deste post tem todo um sentido.
 
A pergunta surgiu em minha mente ao perceber o poder que a arte japonesa tem sobre (principalmente) as crianças e os jovens. Tenho muitos alunos que fazem ou gostam de desenhar tendo como influencia os desenhos de anime e mangá. Não escapo de fazer uma comparação com a minha geração que cresceu cultuando os traços dos desenhistas de quadrinhos ocidentais ( quem tem mais de 30 anos como eu, tinha a influencia dos quadrinhos da Marvel e da DC Comics, já que na década de 80 e 90 os mangás não eram vendidos com tanta facilidade nas bancas como hoje).

Mesmo que na minha época já passasse na TV seriados como Spectreman e Jaspion, a força da influencia do traço de desenho japonês não era tão perceptivel nos desenhos da juventude daquele periodo. O Super Man, o Batman e o Wolverine eram mais populares do que os Cavaleiros do Zodiaco.  Mas a pergunta sobre o que o mangá representa como arte asiática permanece.

Costumo perguntar aos meus alunos o que eles conhecem de cultura japonesa. Eles respondem que gostam do Dragon Ball Z, do Naruto... e aí respondo com a pergunta: ' Mangá é arte japonesa?'. Logicamente que sim, mas a cultura mangá é apenas 1% de algo muito maior que se pode chamar de cultura japonesa.
Tirando toda a base de propaganda e consumo que gera a arte mangá nipônica e voltando no passado cultural podemos ter uma base desconhecida pela garotada do ocidente que faz desenho japonês desconhece outras formas de arte vindas de lá.

Pergunto se eles conhecem a arte ornamental , a cultura de pintura de paisagem, a arquitetura e a cerâmica japonesa. A grande maioria vai dizer que NÃO. Muitos podem não saber que a maior influencia da cultura japonesa veio da China e que esta influencia surgiu em meio a violência de invasões e guerras de dinastias.
Como pequeno conjunto de arquipélagos  propenso a fenômenos da natureza como maremotos, vulcões e terremotos, as terras japonesascriaram a sua forma de arquitetura feita em maioria de casas e templos de madeira para resistir às dificuldades dos fenômenos naturais.

O contato com a China trouxe a cerâmica ( inicialmente uma imitação rustica da cerâmica chinesa até algo original ). Os desenhos feitos em paredes de papeis transparentes,que mostram as montanhas e paisagens e os grafismos que mais tarde migrariam para a pintura abstrata moderna do século XX.
A influencia ocidental sobre o Japão viria depois da Segunda Grande Guerra, quando alguns artistas nipônicos fascinados pelos desenhos de Walt Disney começam a desenhar figuras com olhos e bocas grandes como no mangá atual. Ironicamente hoje são os desenhistas ocidentais é que procuram mimetizar a arte mangá.

sábado, 9 de novembro de 2013

A Arte de Fazer Monstros de Durepox

Quando criança assisti a um filme que me chamou atenção e por isto ficou gravada no meu subconsciente.
Tratava-se de um filme inspirado na obra literária do escritor de ficção cientifica H. G. Wells. 'A Ilha do Doutor Moreau' é um clássico que mostrava um cientista maluco criando monstros híbridos de seres humanos e animais para chegar a uma raça perfeita. Ironicamente a obra de Wells já mostrava os desatinos de muitos cientistas e políticos loucos que de alguma maneira queriam ser deuses (quem não esquece das terríveis experiencias de Hitler nos campos de concentração na Alemanha nazista?). 
De vez em quando aparece algum cientista fazendo coisas bizarras e dizendo que é para o bem da humanidade ( como um grupo de cientistas que colocou uma orelha humana nas costas de um camundongo de laboratório).
Bem , de certa maneira a imagem do cientista maluco me fascinava, tanto que gostava de filmes que tinham o mesmo tema ( 'A ilha dos Homens Peixes, 'Frankenstein' e o estranho 'O Homem Cobra' e o 'O Homem Invisível'). Em todos estes filmes tinha algum cientista com ideias malucas de vencer a morte ou criar o ser humano perfeito.
Na adolescência comecei a desenhar os meus primeiros monstros e depois passei a fazê-los de durepox e material reciclável. Algo que faço até hoje e de vez em quando posto imagens de minhas criações. Recentemente eu fiz algumas esculturas hibridas de inseto, animais e homens ( são esculturas zoomórficas). O processo da confecção já expliquei em outras postagens ( e agradeço pois, são as mais lidas deste blog).
Mostro agora as minhas ultimas criações:

OBS: Se tudo der certo, breve estarei mostrando minhas obras em alguma galeria da cidade. Quando acontecer vocês serão os primeiros a saber. Ok!

sábado, 26 de outubro de 2013

A arte de Criar obras de Tecnologia Analógica


Aproveitando a deixa de minha postagem anterior sobre o passado e o futuro da arte, resolvi relembrar meus primeiros trabalhos de arte e tecnologia que fiz na faculdade aos uns cinco anos atrás. Muita gente deve não entender ou apreciar o que chamo de Techno Art, isto é, trabalhos artisticos feitos com suportes não tradicionais como o lápis, tela, tinta e pincel.

Os primórdios da Techno Art  começam com as experiências de câmara escura e clara usadas por pintores como Dürer e Vermeer, passando posteriormente as primeiras máquinas de fotografar de Daguerre até o uso da TV por Nan Jun Paik. Tudo iniciando no final do século XIV até o século XX.
Muito chão foi percorrido até os desenhos 3D que vemos no cinema ou as pinturas óticas feitas no computador por exímios programadores. Até mesmo os videogames seriam uma evolução do desenho e do cinema simultaneamente.

Você então do outro lado solta aquela pergunta: E daí ?! Se você gosta de manipular fotos no photoshop, ou gosta apenas de fotografar no celular e compartilhar o seu trabalho, ou gosta de programas que fazem animações, então... você pode se considerar um techno artista!
Graças as novas ferramentas da informação muita gente que não teria habilidade com um lápis, hoje pode desenhar usando programas de computador. Tem gente que de brincadeira pode tirar fotos tão sensíveis e belas quanto um fotografo profissional.

Lembro das minhas primeiras experiencias com video, na qual usando dois video cassetes, uma mesa de som de 16 canais, uma TV e uma filmadora analógica podia se ter uma ilha de edição precária, mas estimulante para fazer filmetes para exibir na faculdade.Fiz muitos clipes caseiros só com estas ferramentas. Hoje muita gente somente com um computador ou um celular e um programa esperto fazem videos bem bacanas.

De uns tempos para cá comecei a brincar com o Paint Brush (aquele programa que vem nos computadores e que o pessoal usa para desenhar) muita gente desdenha deste programa, acha que é coisa de criança ou algo ultrapassado. Bem percebi que com ele posso fazer muitos desenhos legais e bem experimentais, basta usar todos os recursos que ele oferece e então... dá pra fazer uns trabalhos maneiros!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Passado e o Futuro da Arte


Brasilia está fervilhando! Pelo menos é o que estou sentindo no que diz respeito as artes plásticas. Quem está bem informado sabe da exposição que tomou de conta do CCBB recentemente. Intitulada de "Mestres do Renascimento", é uma grande oportunidade para nós do DF podermos ver de perto os trabalhos de grandes artistas que somente são visto por seletas plateias ou em livros.

Nesta exposição é possível ver de perto obras de Rafael, Botticelli e Leonardo Da Vinci. Além destes artistas existe também, a chance de apreciar trabalhos de artistas, que pelo menos, para uma maioria tem nomes desconhecidos. Cronologicamente percebe-se na exposição um traço da arte medieval em seus últimos dias até o auge do renascimento italiano e chegando por fim ao Maneirismo.

O cuidado ao retratar o corpo humano (muitos artistas capricham nas mãos, olhos e no rosto de retratados) acaba sendo a principal característica estética desse movimento, que antes de tudo, tinha as bases clássicas romanas como influência.

Em outro extremo também apreciei a exposição que estava ocorrendo no Museu da Republica. Intitulada de "Arte Tecnológica" era uma nova perspectiva em relação ao que chamamos de arte. Longe do artesanal e do trabalho patente manual dos pintores da Renascença, a exposição do Museu da Republica foca os recursos que a informática possibilita para os artistas modernos.

Os computadores, slides, data shows e spots de luzes se tornam como pinceis nas mãos dos programadores que hoje seriam os nossos pintores atuais. Não deixa de ser curioso em nosso mundo onde os celulares, smartphones e internet são nossas armas de comunicação e que por muitas vezes são vistas como mero intretenimento.
Se você estiver no fim de semana em casa sem algo para fazer, vá a essas exposições e pense no passado e no futuro da nossa arte!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A Arte de Criar esculturas de Sabão


Oi companheiros! Quero antes de tudo parabenizar os meus colegas docentes, pelo dia de amanhã. Feliz dia do Professor, a todos que saem de suas casas e vão a escola servir como um norte para os seus alunos. Sabemos que nossa profissão é sofrida e na maioria das vezes desvalorizada (o governo como sempre prefere não estimular a educação para o povo). Contudo, nem tudo está perdido, se temos alguns desinteresse na escola, temos na maioria das vezes momentos de orgulho com os nosso alunos.
Lembre-mo-nos que sem um professor não teríamos policiais, bombeiros, advogados, arquitetos, médicos... todos um dia já foram alunos e consequetemente se tornam professores de seus oficios.
Aproveito a hora para mostrar mais um projeto que pode ser usado na escola. No caso eu costumo trabalhar com algumas turmas a confecção de escultura de sabão.

Para trabalhar com sabão devemos escolher um sabão em barra com muita glicerina, pois quanto mais glicerina mais mole é o sabão. Como ferramenta de corte eu costumo usar etilete e também tesoura sem ponta ( também pode-se usar ferramentas tipicas usadas para talhar madeira ou argila).

Antes de fazer a escultura faça um desenho do que vai querer realizar e somente depois faça a escultura.
Pronto! está feita a escultura que desejou fazer.
OBS: como usamos ferramenta como estilete é melhor o professor fazer a escultura com alunos do ensino médio. Evite também molhar a escultura enquanto a está fazendo , já que a sua mão fica escorregadia e pode ser que se machuque com o estilete durante o corte do sabão caso este esteja molhado.
Deixo como exemplo algumas esculturas que andei fazendo neste últimos dias feitas de durepox:


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A Arte de Criar Esculturas de Durepox 4: Fantoches e Miçanga

Meus companheiros e companheira de blog, trago mais um trabalho escultórico utilizando materiais bastante comuns. Hoje eu ensino como fazer um fantoche feito de miçangas.
As miçangas são pequenas peças que você pode comprar em armarinhos e lojas de roupa para confeccionar uma bijuteria. Como existe variadas peças pode-se fazer produtos artesanais bem legais e simples.
Foi com as sobras de miçangas que os meus alunos trabalharam em aulas de arte que eu resolvi criar um boneco fantoche.

Materiais:
-nailon;
-miçangas coloridas;
-durepox;
-tinta acrilica.
Modo de fazer:
Passe o nailon por dentro das miçangas (escolhas as miçangas que serão os braços, pernas, joelhos, tronco e cabeça primeiro); depois que formar cada membro faça um nó para que as peças não soltem, em seguida usando o durepox cole as partes do tronco e a cabeça, depois com o mesmo durepox faça um rosto e em seguida pinte com tinta acrilica...pronto você tem um boneco fantoche que pode ser usado como chaveiro ou para brincar.
Para mostrar que podemos fazer qualquer coisa com durepox, fiz um robô aranha feito de miçangas, um nariz de palhaço e canudos de refrigerante.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Escultura Barroca


Está ocorrendo no Museu Nacional dos Correios (CSC, quadra 04, bloco 5)  a exposição intitulada "A Sagrada Família" contendo mais de cem obras do período barroco no Brasil. Não tem  como não se emocionar na releitura dos evangelhos feitos por artesão (maioria ex-escravos e mestiços) que sem instrução privilegiada de época souberam contar à sua maneira uma já conhecida história.
Sem o contato com o mármore e a improvisação do uso da madeira e da pedra sabão, além da argila; os artistas brasileiros souberam criar um barroco próprio que se difere em muito do que era feito na Itália e nos países baixos. Pobres e analfabetos os artistas não tiveram contato com a emergente escola francesa que a coroa portuguesa trouxe durante a fuga da família real para o Brasil. Ainda bem, pois diversos historiadores de arte mais tarde perceberam que o Neoclássico pendia para a afetação muito mais que o Rococó e os exageros ornamentais do Barroco. O academicismo que mimetizava a arte clássica e que depois seria motivo de contenda entre os pré-impressionistas e realistas, não contaminou os escultores barrocos tupiniquins.

Assim o drama da Paixão de Cristo e outros temas bíblicos que tiveram força com as intervenção missionárias, ganharam originalidade nas mãos de mestres e artificies na maioria anônimos. Se Aleijadinho continua sendo o ícone no gênero, não se pode esquecer que em outros estados além de Minas Gerais floresceu trabalhos tão distintos e ironicamente amalgamados por diversos artistas.

Para quem tem dificuldade de diferenciar a arte da Renascença e a arte barroca (tema que sempre exponho para os meus alunos na escola em que leciono) a exposição "A Sagrada Família" colocou as diferenças em franca evidência. Enquanto os trabalhos escultóricos de Michelangelo e Donatello ( por exemplo), configuram o mimetismo da arte escultórica greco-romana ( corpos musculosos e harmonioso e contra posto e rostos compenetrados) as estátuas barrocas como Bernini na Itália e de artesãos nordestinos procuram serem mais didáticas em relação a história que inspirou a criação da escultura (fora o lado emocional nos rostos das estátuas e o poli cromatismo delas).
   
Claro, que no período grego já existiam estatuas pintadas, porém no Barroco, e principalmente brasileiro, pintar esculturas dá uma nova perspectiva e vivacidade ao tema. Você vê a estátua do Cristo com  rosto retorcido e sangrando e deixa de não se perguntar 'se não seria um homem de verdade morto'. Este hiper realismo do Barroco que tardiamente chegou até nós ( não podemos esquecer que quando o Barroco chegou ao Brasil era uma estética ultrapassada na Europa impressionista) deu frescor que até então parecia destruído pelo rebuscamento e apelo 'brega' do Rococó. No fim a arte que temos é tão uma mistura de barroquismo, arte colonial, rococó e neoclássico que ficou patente em nosso padrão estético inconsciente. Basta reparar nas roupas ornamentadas das mulheres modernas e do exagero de cores que habituamos a colocar em nossos objetos particulares e pintura de nossas casas.

A influência do modo de escultura barroca é tão forte que muitos artesãos do país fazem uso dela ( e me incluo nisso mostrando uma de muitas esculturas de durepox, porém inspiradas na estética barroca) seja no improviso de materiais (vi artistas que usavam de tudo para fazer esculturas de massa de papel passando por madeira de coqueiro) ou no fato de ignorar os modos acadêmicos da harmonia padrão das estátuas clássicas.