domingo, 6 de abril de 2014

A Arte de fazer Trabalhos com Colagens


Existem técnicas de trabalho artístico que para muitos podem parecer simplórios ou sem um valor. No caso bem específico costumo ver um certo desdém dos que acham a colagem uma mera brincadeira, sem o mesmo credito que possui um quadro pintado  à tinta ou uma escultura.
A culpa talvez, venha dos docentes que costumam aplicar esta técnica para as criança ( e adolescentes) como uma aula de 'tapa buraco', quando não se pode, digamos, oferecer uma aula mais "séria". Digo isto porque passei por um momento destes: estava eu conversando com a coordenadora para fazer uma aula para as crianças em um sábado letivo especial. Quando eu disse que queria dar uma aula de colagem, a coordenadora não disfarçou a cara de desânimo!

Tive que recorrer a história da arte e falar do movimento Dadaista que ocorreu em 1916, liderado por Tristan Tzara. Falei que o legal do Dadaismo foi propor novas formas de confecção artísticas que até então não haviam sido pensadas, ou na melhor das hipóteses terem sido testadas. Entre muitos dadaistas famosos estava não menos que Marcel Duchamp.
Falei do uso de materiais alternativos que foi chamado de readymade, para fazer trabalhos artísticos e que hoje damos o nome de 'trabalhos recicláveis'. Falei também do frontagge e enfim, pude falar da colagem, que muitos artistas daquele período entre guerras usaram como  arma para denunciar a crise que o homem ocidental passava.
Aproveitei e mostrei umas fotos com trabalhos que fiz usando a técnica. Aí sim, a coordenadora mudou a sua fisionomia e passou a comprar a minha ideia.  O que faço é misturar recortes de revistas com pintura de tinta acrílica e usando um spray acrilex cubro o fundo da folha. O resultado é uma pintura/desenho com elementos diversos e misturados. Nas minhas obras costumo usar também tinta nanquim e cola colorida, quanto maior a mistura, mais legal o resultado final. O legal é que a coisa fica mesmo com cara de arte bem elaborada e não de 'tapa buraco'.


quarta-feira, 26 de março de 2014

Sessão Contos Bizarros: A Estranha Paixão de Um Necrófilo

Sebastião era o típico cara tímido. Morava com a mãe e sendo filho único ganhava muita atenção da doce velhinha de quase 72 anos. Não era muito de sair a noite. Passava a boa parte do tempo assistindo a programas de auditório e series policialescas. Não tinha namorada e não tinha amigos.
Para não dizer que era um homem totalmente solitário, criava um gato preto de nome Judas. Sebastião tinha um emprego: trabalhava a quase dez anos no IML da cidade de Timbó. Era mais um lugarejo que uma cidade na verdade, porém como toda localidade pequena todo mundo se conhecia. No IML de Timbó quase ninguém trabalhava. Tudo porque quase ninguém morria. A maior parte da população era de velhos e que já beirava a casa dos cem anos. Com poucas mortes nem o cemitério da cidade funcionava. Quando alguém morria era um verdadeiro alvoroço, faltava soltar fogos e ter uma festa, só da falta que dava de ver um enterro.
Certa noite chegou o rabecão na cidade em alta velocidade. Os tripulantes do veiculo vieram deixar no IML o corpo de uma vítima de afogamento. Sebastião que trabalhava especificamente na necropsia começou a se preparar para o serviço: pegou uma daquelas macas de ferro e trouxe todo o aparato para abrir o defunto. Quando o cadáver foi posto na maca de ferro, Sebastião levou um susto. O defunto era uma linda moça no alto de seus vinte e poucos anos. Ela tinha cabelos longos e pele amorenada. 
Delicadamente Sebastião tirou as vestes da defunta e começou a preparar o exame de corpo de delito. Como não tinha muitos funcionários no IML Sebastião trabalhava sozinho. Com luvas e um bisturi nas mãos Sebastião já estava pronto para começar o seu trabalho. Contudo, ele exitou. Olhou fixamente para a moça e ficou mais um pouco admirando a sua beleza fria. 
Começou a alisar a pele sem vida do cadáver. Na sua cabeça imaginou como seria a morta em vida: poderia ter sido uma boa filha, poderia ter sido uma garota que gostava de se divertir e enfim, por sua beleza devia atrair a atenção de vários rapazes. Sebastião então imaginou que se tivesse conhecido a moça em vida quem sabe não poderia te-la chamado para sair, ir ao cinema ou curtir uma festa, sei lá...
Sebastião então se viu apaixonado pela recém morta. De repente uma ideia estranha passou pela sua cabeça. Olhou para os lados e foi até a porta da sala de necropsia para ver se algum guarda viria. Vendo que ninguém aparecia, Sebastião correu até a maca onde estava a defunta. Olhou para a morta com um olhar de compaixão e então...deu um beijo na boca já azulada da morta. Para um cara que nunca arrumou uma namorada Sebastião parecia satisfeito com a situação que passava. 
Perdidamente apaixonado pela defunta como um adolescente que tem a primeira namorada, Sebastião resolveu dar mais um beijo no seu amor morto. levantou a cabeça caída do cadáver e como que imitasse um galã de novela resolveu dar um beijo cinematográfico. Fechando os olhos  resolveu beijar o seu amor. 
Os lábios se tocaram  e Sebastião beijava a defunta como se ela estivesse viva. De repente o inesperado ocorreu! A defunta abraçou Sebastião com força.  Os olhos dela se abriram e pareciam vermelhos como o Inferno. Sebastião não acreditava no que estava acontecendo. Debatia-se contra o cadáver que o segurava com toda força do mundo.O pesado corpo da defunta caiu sobre o de Sebastião e este veio ao chão. 
O guarda da portaria ouviu o barulho e resolveu ver o que estava acontecendo. Chegando na sala de necropsia não encontrou nem Sebastião e muito menos o corpo da moça morta. No chão havia apenas o bisturi que Sebastião segurava e uma poça de sangue.
Depois de anos ninguém mais soube de Sebastião e muitos tentam entender como ele desapareceu sem deixar pistas. Essa história é até hoje muito contada pelos arredores de Timbó! 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Tim Burton: O Cineasta Gótico


Existem filmes que nos causam impacto quando o vimos e nunca mais somos os mesmo. Dentro de minhas memórias nunca esqueci quando assisti nos anos 90 na Sessão da Tarde o filme Edward Mãos de Tesoura do diretor americano Tim Burton.
Johnny Depp era somente um galã que era retalhado por Fred Kruegger no emblemático A Hora do Pesadelo, quando me surpreendeu com sua interpretação de um monstro que tinha tesouras afiadas no lugar das mãos lá nos idos de 1990.

O tom sombrio do filme aliado a trilha do inseparável parceiro de Burton, o compositor Denny Elfman, ajudou a gravar em minha mente aquela figura estranha que mais parecia ter saído de alguma pintura surrealista ou de um filme expressionista alemão.
Passado todos esses anos continuo a me conectar com o cinema que Tim Burton faz e que de certa forma mudou os padrões de Hollywood. Recentemente revi o filme do Batman dirigido por ele em 1989. Naquele ano o filme do homem morcego era o grande arrasa quarteirão do final da década. Nada de Stallone ou algum brutamontes musculoso destruindo prédios ou soviéticos. O herói desta vez era um homem soturno vestido de morcego e voando por uma cidade gótica e bizarra.

Sem perceber Tim Burton que antes havia sido um funcionário da Disney e que era incompreendido por seus trabalhos excêntricos, se tornaria uma marca e referência para toda uma geração nos anos seguintes. Diretores como Alex Proyer (O Corvo e Eu, Robô) e Paul Anderson (Resident Evil) tentam seguir a cartilha de expressionismo gótico que Burton assina em seus filmes.
Desde criança Burton já nutria um fascínio pelo estranho e o insólito: era leitor assíduo das obras de Edgar Allan Poe e de filme de monstros dos anos 50 e 60.
O seu primeiro trabalho foi o curta metragem chamado Vincent, uma homenagem ao famoso ator de filmes de Terror Vincent Price. Logo neste trabalho Burton já mostrava as suas características autorais, como os bonecos de estilo deformado e olhar triste e cenas escuras com um toque de humor negro. Com grande talento para a animação ele faria mais tarde filmes como O estranho Mundo de Jack e claro, A Noiva Cadáver. 

Entre seus trabalhos o que eu mais gosto é o A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, e o controverso Planeta dos Macacos. Para muita gente talvez, os seus últimos filmes mais voltados para as fábulas sejam os mais lembrados como Alice no País das Maravilhas e A Estranha Fábrica de Chocolate.
Não importa o filme, desde que seja soturno e legal é do Tim Burton!

quarta-feira, 5 de março de 2014

A Arte de Confeccionar Escultura de Monstro de Durepox 3


Olá  meus amigos do blog! Depois de um descanso no feriado de Carnaval agora sim, viveremos o ano de 2014 ( muita gente costuma dizer que o ano realmente se inicia depois do Carnaval). Esperemos que  esse ano seja de realizações e oportunidade para todos.
Para os que curtem as postagens voltadas para a confecção de trabalhos escultóricos feitos por mim, deixo uma obra recente que fiz no feriado último. Trata-se de uma escultura de um homem sem pele (somente os músculos e com asas). Como sempre explico:
Adão (durepox e tecnica mista)

1- A base da figura é um boneco de plástico;
2- Eu customizo o boneco com durepoxi;
3- Depois de seco o durepoxi, passo a pintar o boneco com tinta acrílica;
4- Enquanto o boneco seca eu confecciono as asas com papel sulfite;
5- Colo sobre as asas de papel palitos de dente;
6- depois de colar os palitos eu pinto as asas com spray acrilex;
7- colo as asas de papel na escultura e depois coloco-a em um pedestal feito de abertura de lata de aluminio recortado.
E aí esta a escultura de durepox!Quem gostou desta postagem espere mais pelas próximas. OBS: para fazer esta obra me inspirei em alguns livros de anatomia, na famosa exposição 'Corpos' e nas ilustrações do pintor romântico William Blake para o livro 'Paraíso Perdido' de John Milton.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

ROBOCOP e o Fascismo


Alguns personagens do cinema são tão emblemáticos que as vezes demoram para serem entendidos por sua geração. Um caso bem claro disto é o Robocop. Pude assistir recentemente em blue ray o antigo filme de 1987, dirigido pelo diretor holandês Paul Verhoeven.
O Robocop de 1987 é um daqueles filmes que mesmo depois de duas décadas não envelheceu nada tanto em história quanto de filme em si (os efeitos daquele e´poca ainda chamam a atenção mesmo no avanço digital de hoje).
O mais legal veio depois, já que no disco do filme traz uns extras como a entrevistas dos atores, tecnicos e claro, a opinião do diretor. Fica claro, que na visão de Paul Verhoeven que Robocop não é nenhum super herói; pelo contrário, o diretor vê somente no personagem um 'pobre coitado que foi transformado em máquina em nome de um sistema corporativista e cruel'.


Para completar, o depoimento do roteirista Mickael Miner , deixa bem claro que as intenções do filme é falar da opressão e por que não dizer, de um sistema fascista e totalitário. Robocop símbolo do fascismo?!Claro, somente uma máquina fria poderia por a ordem em uma sociedade caótica e que é no fundo dominada por corporações que mandam no governo e na mídia.
Quando assisti o filme pela primeira vez na TV, nunca me toquei sobre este fato. Achava que o policial robô era uma especie de Batman moderno ou algo do gênero. Naqueles tempos em que Rambo e o Exterminador do Futuro eram sinônimos de ação, o Robocop era somente mais um grandalhão que dava tiros para todo os lados e lutava com outras máquinas ensandecidas.
Paul Verhoeven que adora falar de temas políticos e violência, percebeu que o público na época idolatrava o Robocop sem entender o contexto do personagem. Para ele o filme é uma representação de uma sociedade opressora que procura' mecanizar' os seres humanos o quanto possível.
Hoje fui ao cinema para ver a versão do José Padilha. O seu Robocop tem um designer diferente, que por fora lembra um super herói para vender brinquedos (isso é até motivo de piada no filme). Porém, para a minha felicidade ele manteve o tema critico e até fascista que o filme defendia. Vamos ver se a geração rolezinho consegue entender o contexto do homem máquina que 'atira para matar'.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Esculturas de Durepox de Deuses e Monstros

Se existe um tema que mais eu goste de expressar em uma linguagem visual são as esculturas de durepox de temática mitológica. Como eu já relatei nas minhas primeiras postagens (isso lá em 2011...) eu sempre fui fascinado pelos temas mitológicos.
 
No inicio como muita gente eu descobria as histórias de lendas egipcias e gregas por meio de programas e filmes que passavam na TV. Logicamente que depois fui na fonte genuína da coisa: os livros. Comecei a ler muitos livros de lendas e mitos de vários povos. Um bom livro deste gênero é do autor Thomas Bulfinch ( O Livro de Ouro da Mitologia) que já falei. Outro livro bom saiu pela Editora Ática chamado 'Grecia: Mitos e Lendas do autor Alan Quesnel. 
Nas ferias comprei o livro chamado 'Mitologia: Deuses, Heróis e Lendas. Na verdade o livro é uma edição encadernada da revista Super Interessante. De toda forma sempre que aparece algo novo eu vou atrás. Por mais que pareça repetitivo os livros sempre me inspiram a fazer minhas esculturas. Sendo assim, fiz uma relação dos trabalhos que realizei sobre o tema, lembrando que na escola que leciono costumo usa-lo como projeto em sala de aula.

Demônio

Harpia/Medusa
Omulu orixá da medicina


divindade Ganesha 
Esfinge do Rei Édipo

deus da morte Anubis

Centauro Quiron

deusa gato Bastet


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sessão Sai Capeta: A Fé e a Violência

Existem coisas que racionalmente não tem uma explicação. Para muitos os fenômenos que não podem ser abarcados por conceitos científicos são chamados de milagres. No mundo religioso cristão a palavra milagre está bastante associado a algo extraordinário, que foge do lugar comum, ou até mesmo visto como impossível.
Geralmente o milagre está ligado a algo ou alguém que detém muita fé em sua crença. Para a Igreja Católica as imagens , pinturas (ícones e relíquias) são depósitos de fé. Contudo, mais que um objeto os maiores detentores de provocar fenômenos impossíveis são chamados de santos.
O panteão de santos católicos é formado em sua maioria de pessoas que de alguma forma sofreram martírios em nome do que acreditavam e propagavam. Não á toa os primeiros santos são chamados também de mártires. Na historiografia destes homens e mulheres cristãs estão em sua trajetória de fé em Deus: muita dor, castigos físicos, perseguições e arrebatamentos.
Por muito tempo (e ainda de forma comedida hoje) a Igreja exalta a vida destes santos que tiveram que literalmente 'derramar' o sangue e o suor para que o cristianismo (ou cristandade) pudesse propagar para além das fronteiras do oriente médio e de Roma. Parece paradoxo que foi através da violência mais absurda e cruel e que o cristão pode enfim divulgar a sua fé abertamente (não podemos esquecer das cruzadas em que tanto muçulmanos como cristão tiraram milhares de vidas em nome da fé). Muitos homens e mulheres tiveram olhos arrancados, corpos queimados, retalhados e enforcados e apedrejados por simplesmente falarem em multidões a sua crença.
Vejamos a lista curiosa de santos e lendas na qual a violência e a fé estão interligados:
1-Santo Estevão
Considerado o primeiro mártir, pois nos relatos bíblicos no Ato dos Apóstolos é contada que sua morte foi por apedrejamento por tentar divulgar o cristianismo para os gentis.
2-São Pedro
Visto como o principal líder dos apóstolos após a partida de Cristo. Foi crucificado de barriga para baixo e morreu assim de hemorragia.
3-Santa Barbara
santa que foi martirizada pelo próprio pai ( segunda as lendas ela teve a cabeça cortada por seu pai por ter se convertido ao cristianismo).
4-Santa Apolônia
santa que viveu na Alexandria e que por causa de sua fé sofreu torturas físicas terríveis (seus dentes foram arrancados para que não pudesse mais divulgar o cristianismo).
5-Santa Águeda
santa que foi martirizada tendo os seus seios arrancados e depois o corpo queimado por ordem do Governador romano Quintino.
6-São Dionísio
segundo a Igreja foi o primeiro bispo de Paris. De acordo com as lendas em torno de sua figura sofreu decapitação. Porém, para a surpresa de seus torturadores ele se levantou e milagrosamente pegou a sua cabeça decepada e caminhou  até a sua tumba.
7- Joana D' Arc
caso emblemático da Santa inquisição. Joana era uma garota analfabeta filha de agricultores e que liderou exércitos para libertar a França da Inglaterra. Dizia que ouvia a voz de Deus e que por isto ganhou popularidade no período. Contudo, foi traída pela realeza francesa e queimada na fogueira da Inquisição como bruxa. Posteriormente a Igreja a tornaria santa.